quinta-feira, 10 de março de 2011

Plano Real -Lula - Ferreira Gullar - Folha de São Paulo

Olá Pessoal,

Eu vivi o período que antecedeu o plano real. Já era adulto, casado e tinha uma filha pequena. Senti a hiper-inflação e os efeitos que causava sobre a nossa vida e sobre a economia do país.
Presidente Collor e sua ministra da fazenda Zélia Cardoso de Mello

Vivi um sem-número de planos mirabolantes que se mostraram tentativas frustradas para acabar com a inflação. Senti que suas seguidas falhas derrotavam não apenas os seus criadores, mas o espírito dos brasileiros.

Naquele tempo, só sentíamos alegria de sermos brasileiros quando, aos domingos, o Ayrton Senna cruzava as pistas empunhando nossa bandeira!
dispensa legenda!

Acredito que o plano Real foi a maior "invenção" brasileira de todos os tempos.


A estabilidade financeira obtida através deste plano redefiniu o país social, economica e psicologicamente.

Este plano foi implementado pelo Presidente Itamar Franco e seu ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso. Em qualquer outro país do mundo, eles seriam tratados como verdadeiros heróis nacionais.


Pena que o povo brasileiro tenha tão curta memória.

Pena que parte significativa da população prefere romancear heróis estrangeiros ou ídolos da mídia.


Tenho que preparar, junto com os colegas de grupo, um trabalho sobre o plano Real. Talvez por isso, um amigo me enviou o texto que reproduzo a seguir. Tirem suas próprias conclusões.




Breve relato sobre  Ferreira Gullar

Poeta maranhense de riquíssima obra literária, Ferreira Gullar foi, em 2002, indicado por 9 professores de diversas universidades dos Estados Unidos, do Brasil e de Portugal para o Prêmio Nobel de Literatura. Em sua biografia, consta ter-se filiado em 1964 ao Partido Comunista Brasileiro, onde, ao lado de Oduvaldo Viana Filho, Paulo Pontes, Thereza Aragão e outros, fundou o "Grupo Opinião". Entrando em 1970 para a clandestinidade, esteve exilado em Moscou, Santiago, Lima e Buenos Aires, período em que foi colaborador do semanário "O Pasquim". 
 
Absolvido, por unanimidade, pelo STF, das acusações que lhe foram imputadas, regressou ao Brasil em 1977. Doutor Honoris Causa pela UFRJ, recebeu o Prêmio Jabuti (2007) e o Prêmio Camões (2010), exercendo atualmente intensa atividade literária e jornalista.
 
Colaborador permanente da Folha de São Paulo e de outros órgãos da imprensa, foi este ano candidato a membro da Academia Brasileira de Letras.

Ferreira Gullar

Talvez seja esta a última vez que escreva sobre o cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, ex-presidente do Brasil. Com alívio o vi terminar o seu mandato, pois não terei mais que aturá-lo a esbravejar, dia e noite, na televisão, nem que ouvir coisas como esta: "Ele é tão inteligente que fala todas as línguas sem ter aprendido nenhuma". 
É verdade que tivemos, ainda, que aturá-lo nos três últimos dias do mandato, quando "inaugurou" obras inexistentes e fez tudo para ofuscar a presidente que chegava.

Depois de passar a faixa, foi para um comício em São Bernardo, onde, até as 23h, continuava berrando no palanque, do qual nunca saíra desde 2002.

Aproveitou as últimas chances para exibir toda a sua pobreza intelectual, dizendo-se feliz por deixar o governo no momento em que os Estados Unidos, a Europa e o Japão estão em crise.

Alguém precisa alertá-lo para o fato de que a crise, naqueles países, atinge, sobretudo, os trabalhadores. Destituído de senso crítico, atribui a si mesmo ("um torneiro mecânico") o mérito de ter evitado que a crise atingisse o Brasil. Sabe que é mentira mas o diz porque confia no que a maioria da população, desinformada, acreditará.

Isso dá para entender, mas e aqueles que, sem viverem do Bolsa Família nem do empréstimo consignado, veem nele um estadista exemplar, que mudou o Brasil? É incontestável que, durante o seu governo, a economia se expandiu e muita gente pobre melhorou de vida. Mas foi apenas porque ele o quis, ou também porque as condições econômicas o permitiram?

Vamos aos fatos: 
 
Até a criação do Plano Real, a economia brasileira sofria de inflação crônica, que consumia os salários. 
 
Qual foi a atitude de Lula ante o Plano Real? 
Combateu-o ferozmente, afirmando que se tratava de uma medida eleitoreira para durar três meses.

À outra medida, que veio consolidar o equilíbrio de nossa economia, a Lei de Responsabilidade Fiscal, Lula e seu partido se opuseram radicalmente, a ponto de entrarem com uma ação no Supremo para revogá-la. Do mesmo modo, Lula se opôs à política de juros do Banco Central e ao superávit primário, providências que complementaram o combate à inflação e garantiram o equilíbrio econômico. Essas medidas, sim, mudaram o Brasil, preservando o valor do salário e conquistando a
confiança internacional.

Lembro-me do tempo em que o preço do pão e do leite subia de três em três dias.

Quem tinha grana, aplicava-a no overnight e enriquecia; quem vivia de salário comia menos a cada semana.

Se dependesse de Lula e seu partido, nenhuma daquelas medidas teria sido aplicada, e o Brasil -que ele viria a presidir- seria o da inflação galopante e do desequilíbrio financeiro. Teria, então, achado fácil governar?

Após três tentativas frustradas de eleger-se presidente, abandonou o discurso radical e virou Lulinha paz e amor. Ao deixar o governo, com mais de 80% de aprovação, afirmou que "é fácil governar o Brasil, basta fazer o óbvio". Claro, quem encontra a comida pronta e a mesa posta, é só sentar-se e comer o almoço que os outros prepararam.

A verdade é que Lula não introduziu nenhuma reforma na estrutura econômica e social do país, mas teve o bom senso de dar prosseguimento ao que os governos anteriores implantaram. A melhoria da sociedade é um processo longo, nenhum governo faz tudo. Inteligente, mas avesso aos estudos, valeu-se de sua sagacidade, já que é impossível conhecer a fundo os problemas de um país sem ler um livro; quem os conhece apenas por ouvir dizer não pode governar.

Por isso acho que quem governou foi sua equipe técnica, não ele, que raramente parava em Brasília. 
 
 
Atuou como líder político, não como governante, e, se Dilma fizer certas mudanças, pouco lhe importará, pois nem sabe ao certo do que se trata. Para fugir a perguntas embaraçosas, jamais deu uma entrevista coletiva.

Afinal, ninguém, honestamente, acredita que com programas assistencialistas e aumento do salário mínimo se muda o Brasil.

O tempo se encarregará de pôr as coisas em seu devido lugar. O presidente Emílio Garrastazu Médici também obteve, em 1974, 82% de aprovação.

FONTE: 

Entrevista do poeta Ferreira Gullar à Folha Ilustrada. Data 02/06/2010.

 

Selecionei dois comentários:

Rubens Torres disse:

De uma lucidez e bom senso impressionantes (Ferreira Gullar). Cabelos brancos e muita estrada da vida e de leitura. Verifico que falta à maioria das pessoas o hábito da leitura para que elas possam evoluir, sem perder suas personalidades. A incoerência que carrega o  presidente Lula é de nota máxima, senão vejamos alguns exemplos:


1. Foi pra rua “impedir” o COLLOR, e agora presta-lhes favores empresariais e pessoais;


2. Votou no colégio eleitoral contra o Tancredo Neves e agora vai a Minas Gerais reverenciá-lo;


3. Jogou pedra em todas as privatizações, entrou no governo e não desfez qualquer delas, pois tinha poder para isso, porque aproveita-se das mesmas através dos fundos de pensão para locupletar seu partido e seus companheiros;


4. Entregou o Sistema Eletroenergético do País, ao grupo mais marginal da política brasileira, que é o grupo SARNEY.


Portanto, aos mais exaltados, é melhor agir com prudência e respeitar a opinião desse monstro da literatura poética.

 

André disse:

De fato, Gullar decepcionou! Ora, Gullar, e a ARENA (DEM), agora você se sente agraciado por ela? Que queda hein? Onde os sonhos de um mundo justo? O apoio aos movimentos, ao povo que luta! NO governo Lula os movimentos tiveram dignidade. Não é fácil lutar contra um passado imenso de desprezo. 

O Lula começou. Prove-me que o Serra/PSDB fez algo de grande para este país! Está querendo ganhar o Nobel, como o Vargas Llosa? Neste sentido, nada melhor que fugir da luta para ser um vencedor, não é mesmo? Decepção!


quarta-feira, 2 de março de 2011

O Que é Ambiente Organizacional?


Ambiente Organizacional 

Aspectos importantes que determinam as características do Ambiente Organizacional:

1 - O Ambiente Organizacional: Globalização e Competitividade

Para os defensores da globalização, ela é um fenômeno altamente positivo, capaz de alavancar o desenvolvimento mundial. Para seus críticos, algo extremamente negativo, que gera um tipo de desenvolvimento que exclui os países mais pobres.

A globalização, como forma de organizar a produção e os mercados, é um processo histórico irreversível.

No contexto das organizações, um dos impactos mais importantes da globalização é a segregação a que estão sujeitas aquelas que não acompanham o processo. Assim, tais organizações correm o risco
de ser excluídas do mercado, por não conseguirem competir com as demais.

Este aspecto é especialmente sentido no caso de empresas exportadoras. Caso seus produtos não atendam a determinados padrões de qualidade; caso seus processos não usem tecnologia adequada para produzir a custos mais baixos e de forma ambiental e socialmente sustentável, sua própria sobrevivência estará sob sério risco.


A globalização também afeta as relações de trabalho. Ela exige alta eficiência na produção , ou seja,  exige uma “reestruturação produtiva”. Entre outros aspectos, a globalização estimulou ou introduziu:

• automação;

• terceirização;

• trabalho autônomo;

• programas de qualidade total;

• flexibilização da produção (por exemplo, sistema Just-in-time, programa de sugestões, etc.).

Outro requisito fundamental para que a organização se torne competitiva é a flexibilidade, ou seja, a capacidade de adaptação a novas situações impostas que exercem impacto tanto no processo produtivo quanto na gestão da força de trabalho.

Com relação à flexibilização, destacam-se:

A - Flexibilidade nas práticas de emprego:

• Salários flexíveis, estabelecidos de acordo com o desempenho da economia, da empresa, da unidade de produção, do grupo ou do próprio trabalhador;

• Flexibilidade numérica, segundo a qual a empresa ajusta à necessidade o número de trabalhadores, contando, para isso, com mais facilidade de demissão, uso de força de trabalho temporária, de trabalho autônomo, etc.;

• Flexibilidade dos horários de trabalho, segundo a qual eles podem ser alongados ou encurtados, com horas extras, turnos reduzidos, dispensas temporárias, férias coletivas, escalas flexíveis, trabalho nas férias, etc.

B - Flexibilidade funcional, segundo a qual o trabalhador pode ser deslocado de uma tarefa para outra, não se limitando, pois, a uma tarefa específica. Isto exige que ele seja qualificado em várias funções.

C - Flexibilidade das relações entre empresas, que inclui os sistemas de subcontratação de redes, de empresas e de trabalho temporário.

D - Capacidade de ajuste dos equipamentos em função de mudanças qualitativas e quantitativas na produção;

E - Flexibilidade dos dispositivos legais referentes às políticas fiscais e sociais.

F - Flexibilidade de volume ou capacidade para variar o volume da produção sem afetar significativamente os custos ou margens operacionais;

G - Flexibilidade de gama ou família, podendo a empresa introduzir, modificar ou retirar produtos, peças e componentes de linha;

H - Flexibilidade de mix, ou seja, capacidade de suportar alterações no mix de produtos, em dada família;

I - Flexibilidade para suportar sazonalidades na linha de produção;

J - Flexibilidade para responder a imprevistos causados pelo mau funcionamento do sistema produtivo;

K - Flexibilidade para suportar erros de previsão.


2 - O Sistema de Comunicação e o Sistema de Informação no Contexto da Organização

O Sistema de Comunicação deve garantir a coordenação e o controle interno e externo das atividades organizacionais, deve também expressar as relações de hierarquia e poder que permeiam as relações interpessoais no interior das organizações.

O Sistema de informação é essencial para o planejamento adequado das atividades empresariais, constituindo um dos pilares de sustentação das organizações no mercado.

2.1 - Sistema de Comunicação

Comunicar é disponibilizar o que é conhecido, ou reduzir o desconhecido e proporcionar o conhecimento entre atores sociais. É, também, buscar a ordem, estabelecer padrões de poder, é formalizar instrumentos de convívio e aproximação.

2.2 - Sistema de Informação

Informação é um processo que visa ao conhecimento ou a tudo aquilo que reduz a incerteza. Constitui um instrumento de compreensão do mundo e da ação do homem sobre ele. Os canais de comunicação existentes na empresa e entre ela e o ambiente externo são diariamente irrigados por grande quantidade de informações dos mais diversos tipos.

Os avanços nos equipamentos e na tecnologia digital alteram completamente a estrutura dos locais de trabalho. Elas melhoram significativamente a capacidade de processamento de dados permitindo até mesmo que o trabalho seja realizado no próprio lar.



Observação: Este texto não é original, mas é um resumo do material da apostila do curso

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O Que é uma Organização?

O Que é uma Organização?

Uma organização é o conjunto de duas ou mais pessoas reunidas para, individual ou coletivamente, utilizando os recursos e meios disponíveis e atuando de forma coordenada e controlada, empreender esforços com o intuito de atingir objetivos previamente determinados. Suas funções básicas são planejar (prever), organizar, dirigir, coordenar e controlar as atividades direcionadas para os objetivos.


Uma organização é um sistema aberto que pode ser composto por subsistemas. Estes podem estar arranjados em setores, seções, departamentos, entre outras. As subdivisões ou subsistemas muitas vezes desenvolvem culturas próprias, que, entretanto, permanecem vinculados a uma cultura organizacional mais ampla, sendo por ela orientados. Em outras palavras, a cultura organizacional se sobrepõe às culturas dos subgrupos que se formam no interior da organização.
Sistema Aberto


Cada organização se encontra inserida em um sistema/contexto mais amplo. Ela deve estar preparada para enfrentar constantes mudanças sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, ambientais, etc. Assim, para sobreviver, ela precisa adaptar-se constantemente às alterações nos processos externos (relação com os mercados fornecedor e consumidor, com os diferentes níveis de governo, com os investidores, com as demais organizações, com a sociedade em geral, etc.) e nos internos (relação com os funcionários, com fornecedores e parceiros, com a produção, com prestadores de serviços, etc.).



Muitas vezes, não é fácil, quer por apegos a antigas tradições, quer por incapacidade financeira, tecnológica ou administrativa, implementar as transformações necessárias. Assim, agilidade, ousadia e flexibilidade constituem, atualmente, elementos essenciais para o bom desempenho das organizações.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Mais Getúlio Vargas

Olá Pessoal,

Na disciplina Teorias da Administração Pública tivemos uma tarefa na qual deveríamos responder um questionário. Uma das perguntas era justamente sobre a Era Vargas, lembram? Eu copiei a pergunta e a resposta e as apresento abaixo.

3. Por que os anos 1930 foram importantes para a história da Administração Pública no Brasil? Quais são as marcas deixadas pela Administração Pública Burocrática implantada a partir de então?




Em decorrência do sufocante Estado patrimonial, da falta de qualificação técnica dos servidores, da crise econômica mundial que explodiu em 1929 e da difusão da teoria keynesiana – que pregava a intervenção do Estado na Economia –, o governo autoritário de Vargas resolve modernizar a máquina administrativa brasileira através dos paradigmas burocráticos difundidos por Max Weber (modelo racional-legal). O auge dessas mudanças ocorre em 1936 com a criação do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), que tinha como atribuição modernizar a máquina administrativa utilizando como instrumentos a afirmação dos princípios do mérito, a centralização, a separação entre público e privado (em resposta ao patrimonialismo), a hierarquia, a impessoalidade, a rigidez e universalidade das regras e a especialização e qualificação dos servidores.

Principais Marcas da reforma administrativa dos anos 30 são:

 Ingresso no serviço público por concurso;

 Critérios gerais e uniformes da classificação de cargos;

 Organização dos serviços de pessoal e de seu aperfeiçoamento sistemático;

 Administração orçamentária;

 Padronização de compras do estado;

 Racionalização geral de métodos;

 Órgãos reguladores - Conselhos, comissões e institutos.


Cabe ressaltar que o Estado produtor também ganhou impulso durante o governo Vargas, notadamente com a criação da Cia. Siderúrgica Nacional.

Que é CULTURA?



Olá Pessoal,

Como já sabemos devemos analisar alguns filmes sob a perspectiva dos conceitos da apostila de Cultura e Mudança Organizacional. Assim, decidi fazer uma resenha do primeiro capítulo da referida apostila.

O que é cultura?

Cultura é uma construção social, ou seja, uma construção coletiva. Ela resulta de um aprendizado condicionado socialmente. Ela é  apreendida, transmitida e compartilhada com os novos membros do grupo. A este processo de assimilação de uma cultura dá-se o nome de endoculturação.  Não é, pois, algo que surge espontaneamente ou ao acaso no interior dos grupos e que passe espontaneamente de geração a geração.

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A cultura cumpre objetivos ideológicos, serve como instrumento de dominação de classes. Nesse sentido, constitui importante instrumento de poder e de legitimação da ordem.

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No processo de endoculturação, códigos coletivos são assimilados. Os membros de um grupo social tornam-se produtos do meio em que crescem; conformam-se aos seus padrões e, com isso, submetem-se a um processo de integração ou de adaptação social. De modo insensível, tudo aquilo que lhes foi inculcado é reconhecido como natural ou normal.  



 A partir daí, quaisquer outras maneiras de ser lhes parecem estranhas e até inaceitáveis. Eis por que indivíduos provenientes de diferentes sociedades, ou oriundos de diferentes meios sociais, são facilmente identificáveis pelas suas formas peculiares de agir, sentir e pensar.

As Duas Concepções de Cultura segundo Santos (1994)

1)    a) Cultura é tudo aquilo que caracteriza a existência social de um povo ou de uma nação ou de grupos no interior de uma sociedade. Constitui, portanto, a totalidade das características de uma realidade social.

2)    b) Cultura é o conjunto de conhecimentos, idéias e crenças e a maneira como estes existem na vida de um grupo social. Nesse caso, a cultura diz respeito a uma esfera, a um domínio da vida social. Trata-se, portanto, do conhecimento que a sociedade, o povo, a nação ou o grupo social tem da realidade e da maneira de expressar esse conhecimento (a arte, a religião, os esportes, a tecnologia, a ciência, a política...).

Mas, segundo o autor, é do relacionamento entre essas duas concepções básicas que se origina a maneira de entender a cultura de um grupo social.

O mesmo autor chama a atenção para o fato de que a cultura é dinâmica:

“A cultura é uma dimensão do processo social e da vida de uma sociedade.(...)  Não é apenas uma parte da vida social, como, por exemplo, se poderia falar da religião. Não se pode dizer que cultura seja algo independente da vida social, algo que nada tem a ver com a realidade onde existe. Entendida desta forma, cultura diz respeito a todos os aspectos da vida social, e não se pode dizer que ela exista em alguns contextos e não exista em outros.”

Ele também afirma que:

“a cultura é uma construção histórica, seja como concepção, seja como dimensão do processo social. Ou seja, a cultura não é algo natural, não é uma decorrência de leis físicas ou biológicas. Ao contrário, a cultura é um produto coletivo da vida humana. Isso se aplica não apenas à percepção da cultura, mas também à sua relevância, à importância que passa a ter. Aplica-se ao conteúdo de cada cultura particular, produto da história de cada sociedade.”

Cultura é um território bem atual das lutas sociais por um destino melhor.

Santos, J. l. O que é cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. 89 p.


Em breve, vou postar uma discussão sobre o conceito de organização social.

[ ]´s

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Interpretações da Era Vargas (antes do Estado-Novo)



Interpretações do 1º Governo Vargas (1930-1945) como impulsionador do desenvolvimento econômico no Brasil

a)    a) Villela & Suzigan (1973) e Peláez (1971): a política econômica do governo federal foi apenas uma reprodução dos postulados econômicos que dão ênfase à austeridade nas contas públicas. Eles vêem certo continuísmo na prática do 1º governo Vargas em relação à ortodoxia monetária e cambial da República Velha. A industrialização seria conseqüência da aplicação da ortodoxia monetária.
b)       
A  b) A clássica interpretação de Furtado (1977) enfatiza a utilização das políticas monetária e cambial (desvalorização da moeda) como principais instrumentos adotados pelo governo para a enfrentar a crise. Este autor considera que a associação de importação cara com baixos juros favoreceu o crescimento de um setor industrial nacional. Assim, propõe que o desenvolvimento industrial foi apenas um “subproduto” destas políticas.
c)       
 c)  c) Este trabalho (Carraro e Fonseca) defende que o estímulo ao desenvolvimento industrial foi consciente. Afirma que a atuação do governo Vargas, ao propor uma nova forma na circulação da renda, é um exemplo claro de desenvolvimento econômico baseado no processo de destruição criadora de Schumpeter.
Schumpeter


O que seria “destruição criadora?

Existe um “processo de mutação industrial” que revoluciona a estrutura econômica a partir de dentro, destruindo incessantemente o antigo e criando elementos novos. “É dele que se constitui o capitalismo e a ele se deve adaptar toda a empresa capitalista para sobreviver” (Schumpeter, 1942, pag.106).

A organização da produção, a combinação de novos insumos e a busca constante por novos produtos são, portanto, fundamentais para geração de desenvolvimento econômico.  Estas seriam funções próprias de uma rede de órgãos e instituições que seriam criadas com o objetivo principal de inserir no sistema econômico os incentivos necessários para que as empresas se lançassem continuamente na busca do novo, do desenvolvimento, não por decisões pessoais, mas por questão de sobrevivência.


Em “O Desenvolvimento Econômico no Primeiro Governo de Vargas (1930-1945)”, André Carraro  e  Pedro Cezar Dutra Fonseca mostram que o governo Vargas criou diversos órgãos e institutos que formaram um “Estado Inovador” responsável pelo desenvolvimento capitalista no Brasil. 

Vargas e a Elite Cafeeira
 
A economia mundial chegou ao fim da década de 1920 em profunda crise. A economia brasileira baseada, quase que exclusivamente na renda gerada no setor cafeeiro foi violentamente atacada. O poder político era exercido de forma alternada entre os paulistas (barões do café) e os produtores de leite (mineiros). Esta era a chamada política do café com leite. Havia, portanto, uma estrutura cíclica tanto na economia quanto na política. A revolução de 1930, comandada por Vargas, rompe com esta situação e reflete politicamente o efeito da crise econômica.


Vargas combateu à crise do setor cafeeiro, mas  não se restringiu à adoção de uma política econômica voltada à proteção da renda do setor cafeicultor. Vargas implementou também um projeto desenvolvimentista industrializante.

O governo Vargas voltou-se à implantação de um conjunto de políticas que já sinalizava para a ruptura com o modelo de economia baseada na monocultura exportadora. O governo federal optou pela adoção de câmbio desvalorizado que mantinha, no curto prazo, certa estabilidade na renda nominal dos cafeicultores, taxou as exportações de café em 20% e criou de um imposto de mil réis, cobrado sobre cada novo cafeeiro plantado no estado de São Paulo (Peláez, 1972). Enfim, uma política econômica que garantia a sustentação da renda nacional interna e, no longo prazo, desestimulava o aumento da oferta de café, reduzindo o hiato entre produção e consumo.

Simultaneamente, o governo afastou-se dos interesses da classe cafeicultora e aproximou-se de outros grupos sociais (membros da classe média urbana, tenentes e até mesmo de setores da burguesia agrária não-exportadora), projetando uma nova economia desenvolvimentista e industrializante.

A existência deste projeto, que passa a buscar o desenvolvimento do país não mais numa base agroexportadora, mas na construção de uma indústria nacional voltada ao mercado doméstico, caracteriza a ruptura com o antigo fluxo circular. Em certo sentido, Vargas procede a ruptura e insere a economia brasileira no complicado mundo da economia industrial capitalista.

Para que isto pudesse ser concretizado no Brasil dos anos 30, dada a ausência de capacidade empresarial habilitada e disposta a pôr em prática um conjunto de mudanças de vulto, o Estado Nacional assumiu a responsabilidade de formar, dentro do sistema existente, não só uma rede de órgãos com o objetivo de acelerar o desenvolvimento econômico, mas inclusive tentando transformar-se num Estado empresário, inovador. 

Istosignifica que o Estado criou instituições e tomou para si a responsabilidade pelas decisões econômicas. .
O governo de Vargas percebeu a necessidade de transformação nas ações estatais, entendendo que a ampliação da complexidade das relações econômicas necessitava da presença no Estado.

O governo de Vargas passou a investir na modernização da economia brasileira, via revisão das legislações que regiam tanto as relações sociais como as econômicas e, na criação de novos órgãos que tinham por objetivo planejar e concretizar as políticas públicas de planejamento da produção e distribuição. 

Entre 1930 e 1937, foram criados os seguintes órgãos ligados a um projeto de desenvolvimento industrial: 
  •  
  • Ministério do Trabalho, Indústria e Comércio, em 1930; 
  • Departamento Nacional do Trabalho, em 1931; 
  • Conselho Federal do Comércio Exterior, em 1934; 
  • Plano Geral de Viação Nacional 
  • Comissão de Similares, em 1934; 
  • Conselho Técnico de Economia e Finanças, em 1937,

todos eles com a função de pensar a organização e o desenvolvimento da indústria nacional.  

O processo de inovação estaria a cargo de instituições formadas por técnicos capacitados a desenvolverem atividades que levassem a descobertas de novas formas de combinação de insumos, ao aperfeiçoamento das técnicas de produção, a racionalização do processo produtivo e a uma distribuição eficiente do produto no mercado interno brasileiro. Para isto, foram criados diversos institutos e órgãos de pesquisa e empresas 

Entre 1930 e 1936, foram criados:
Instituto Geológico e Mineralógico do Brasil,
Estação Experimental de Combustível e Minérios, 
Instituto de Química, o Instituto Biológico Federal,
Laboratório Central e Indústria Mineral 

e, posteriormente, 
Instituto Nacional do Sal (1940),
Conselho Nacional do Petróleo (1938), 
Fábrica Nacional de Motores (1940), 
Conselho Nacional de Ferrovias (1941), 
Usina Siderúrgica de Volta Redonda (1943) 
Conselho Nacional de política Industrial (1944) 
Comissão de Planejamento Econômico (1944).