quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Quem é Ana Maria da Costa Bastos?

Nepotismo!!


Sarney nomeou a irmã no próprio gabinete



O presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), escondeu a nomeação de uma irmã no seu gabinete pessoal. Trata-se de Ana Maria da Costa Bastos, que ocupou cargos na Casa entre 2005 e 2008 - quando foi exonerada por um ato secreto.


Ana Maria é irmã de José Sarney por parte de pai. A Folha obteve acesso à sua ficha cadastral no Senado. Ela é filha de Sarney de Araújo Costa e Anatália de Oliveira Furtado, mãe de outro irmão do presidente do Senado - Ivan Celso Sarney Furtado, que também teve cargo na Casa e foi exonerado por ato secreto.




Formada em medicina, ela foi nomeada no gabinete pessoal de Sarney em janeiro de 2005 com um salário de R$ 7.400, como secretária parlamentar. Dois meses depois, foi rebaixada para a vaga de assistente parlamentar, com vencimentos de R$ 4.900 mensais.


Em julho de 2005, Ana Maria foi transferida para o gabinete do senador Edison Lobão* (hoje ministro de Minas e Energia), aliado histórico de Sarney. Ela só foi exonerada em outubro de 2008, no mesmo mês em que dezenas de parentes de senadores foram demitidos, às claras, pela Casa, por conta da súmula do STF (Supremo Tribunal Federal) que proibiu o nepotismo nos três Poderes.



Contudo, o ato da exoneração só foi publicado em 16 de abril deste ano na rede de intranet do Senado. No mesmo dia, também foi divulgado o ato de exoneração de João Fernando Sarney - neto do senador e primeiro caso de uso de medida secreta para ocultar movimentação de pessoal envolvendo parentes.



Na época, essa estratégia foi usada para evitar o desgaste de Sarney, já que diariamente era divulgada uma lista de casos de nepotismo.



Cargos no Maranhão

 
Antes de ter emprego no Senado, Ana Maria trabalhou na área de perícia médica do INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social) no Maranhão pelo menos de 2000 a 2003.


Ela chegou mesmo a ocupar o posto de superintendente regional substituta do extinto Instituto Nacional de Previdência Social no Maranhão.

 
Ela não assina como Sarney porque o nome não era um sobrenome da família até 1965. Sarney é nome do pai do presidente do Senado. Para fins políticos, o então José Ribamar Araújo Costa adotou o primeiro nome do pai, tornando-se José Sarney. Posteriormente, diversos familiares entraram na Justiça para se registrar também Sarney - o que não foi o caso de Ana Maria.

(*) Segundo wikipedia:

Edison Lobão foi eleito deputado federal pela ARENA e a seguir pelo PDS em 1978 e 1982, ingressando no PFL em atenção à liderança política de José Sarney, que manteve o controle da seção maranhense da legenda embora filiado ao PMDB desde a sua candidatura a vice-presidente de Tancredo Neves

Ele foi governador do Maranhão, de 1991 a 1994, foi ministro de Minas e Energia do Brasil, de 21 de janeiro de 2008 até 31 de março de 2010, no governo do presidente Luiz Inácio Lula da SilvaCom a posse de Edison Lobão para o ministério, o seu filho Edison Lobão Filho, assumiu a vaga no Senado, ficando até 31 de março de 2010. Deixou as Minas e Energia para concorrer a mais um mandato como senador, em 2010. Foi reeleito à vaga, pelo PMDB, com 1.702.085 votos. Foi reconduzido à pasta das Minas e Energia pela presidente Dilma Rousseff.

 

Quem é José Ribamar de Araújo Costa? Parte 4


Não vamos transformar o Brasil em um grande Maranhão ...

O Compositor Zeca Baleeiro, nascido no Maranhão, escreveu em abril de 2009, na revista Isto é , um interessantíssimo artigo sobre a forma como este pobre estado está dominado. Reproduzo a seguir o conteúdo do artigo.


Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira"Zeca Baleiro - Última palavra (IstoÉ, nº 2035, 1ºabr/2009)


O Maranhão é um Estado do Meio Norte brasileiro, um preciosismo para nomear a região geograficamente multifacetada que é ponto de interseção entre o Nordeste e a Amazônia. Com área de 330 mil km2, pleno de riquezas naturais, tem fartas agricultura e pecuária, uma culinária rica e diversa e uma cultura popular exuberante. Não obstante tudo isso, pesquisa recente coloca o Estado como o segundo pior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) do País, atrás apenas de Alagoas.

Sou maranhense. Nasci em São Luís, capital do Estado, no ano de 1966, mesmo ano em que o emergente político José Sarney assumiu o governo estadual, sucedendo o reinado soberano do senador Vitorino Freire, tenente pernambucano que se tornou cacique político do Maranhão, a dominar a cena estadual por quase 40 anos. De 1966 até os dias de hoje, são outros 40 anos de domínio político no feudo do Maranhão, este urdido pelo senador eleito pelo Amapá José Sarney e seus correligionários, sucedâneos e súditos, que gerou um império cujo sólido (e sórdido) alicerce é o clientelismo político, sustentado pela cultura de funcionalismo público e currais eleitorais do interior, onde o analfabetismo é alarmante.

O senador José Sarney, recém-empossado presidente do Senado em um jogo de caras barganhas políticas, parecia ter saído da cena política regional para dar lugar a ares mais democráticos, depois de amargar a derrota da filha Roseana na última eleição ao governo do Estado para o pedetista Jackson Lago. Mas eis que volta, por meio de manobras politicamente engenhosas e juridicamente questionáveis, para não dizer suspeitas, orquestrando a cassação do governador eleito, sob a acusação de crime eleitoral, conduzindo a filha outra vez ao trono de seu império. Suprema ironia, uma vez que paira sobre seus triunfos políticos a eterna desconfiança de manipulações eleitoreiras (a propósito, entre os muitos significados da palavra Maranhão no dicionário há este: "mentira engenhosa").

Em recente entrevista, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso disparou frase cruel: "Não vamos transformar o Brasil num grande Maranhão." A frase, de efeito, aludia a uma provável política de troca de favores praticada pelo Planalto atualmente - segundo acusação do ex-presidente -, baseada em jogo de interesses regionais tacanhos e tráfico de influências. Como alguém nascido no Maranhão, e que torce para que o Estado alcance um lugar digno na história do País (potencial para isso não lhe falta, afinal!), lamento o comentário de FHC, mas entendo a sua ironia, pois o Maranhão tornou-se, infelizmente, ao longo dos tempos, um emblema do que de pior existe na política brasileira. Não é de admirar que divida o ranking dos "piores" com Alagoas, outro Estado dominado por conhecidas dinastias familiares.

Em seus tempos de apogeu literário, São Luís, a capital do Maranhão, tornou-se conhecida como a "Atenas brasileira". Mais recentemente, pela reputação de cidade amante do reggae, ganhou a alcunha de "Jamaica brasileira". Não me espantará que num futuro próximo o Maranhão venha a ser chamado de "Uganda brasileira" ou "Haiti brasileiro". A semelhança com o quadro de absoluta miséria social a que dois célebres ditadores levaram estes países - além do apaixonado apego ao poder, claro - talvez justificasse os epítetos.


Ainda tem mais ... Infelizmente!

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Quem é José Ribamar de Araújo Costa? Parte 3

O texto que se segue foi extraído de:

http://www.jornalpequeno.com.br/2010/6/25/renato-archer-e-as-eleiies-de-1965-122463.htm

visitado em 08 de fevereiro de 2011.


RENATO ARCHER E AS ELEIÇÕES DE 1965

autoria de: Haroldo Saboia                   Data de Publicação: 25 de junho de 2010 às 15:41

Tivemos oito eleições diretas para governador após o golpe militar de 1964. A primeira delas, em 1965, constitui um marco na dominação oligárquica no Maranhão: representou o fim da era vitorinista, iniciada em 46, e o início do domínio de José Sarney com sua eleição ao governo.

O mais provável é que o ciclo Sarney tivesse terminado em 86 não fosse a morte de Tancredo Neves, antes de assumir o presidência em 1985. Mesmo a condição de vice-presidente não asseguraria a Sarney mais 25 anos de absoluta hegemonia na política maranhense. O PMDB maranhense, liderado por Renato Archer, Cafeteira e Cid Carvalho com apoio de Ulisses Guimarães, seria indiscutivelmente vitorioso contra Sarney nas eleições ao governo do Estado, em 1986.

A força nacional do PMDB era tal que obrigou Sarney, no exercício da Presidência, a compor com os peemedebistas maranhenses. Sarney aliou-se a Cafeteira que liderava a corrente do PMDB contrária à Renato Archer. É que Renato, mesmo em seu ministério por escolha do próprio Tancredo, representava uma ameaça política à Sarney, pela sua longa trajetória nas lutas pela retomada democrática. Renato Archer tinha dimensão nacional. Fora o número 2 do chanceler San Tiago Dantas, ministro das Relações Exteriores no governo democrático de João Goulart. Após o golpe, como deputado federal do Movimento Democrático Brasileiro, o antigo MDB, foi Renato o articulador da primeira grande tentativa de unificação das lideranças civis proscritas pelos militares: a denominada Frente Ampla.
João Goulart

A Frente Ampla foi lançada oficialmente por um manifesto, divulgado em 27 de outubro de l966, assinado por João Goulart, o Jango, Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda. Jango, Juscelino e Lacerda eram as principais lideranças dos maiores partidos anteriores a 1964: o Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), o Partido Social Democrata (PSD) e a União Democrática Nacional (UDN). Os partidos comunistas (PCB e PCdoB) haviam sido postos na ilegalidade desde 1947.

O manifesto da Frente Ampla, pacientemente discutido e negociado por Renato Archer junto a cada um dos seus três signatários, proclamava: " É necessário convocar, a curto prazo,eleições livres pelo voto secreto e direto.Exigimos respeito às garantias jurídicas e aos diretos individuais. Sobretudo, proteção à pessoa humana, livre de toda a coação senão a da lei livremente elaborada e sancionada por representantes por representantes livremente eleitos pelo povo."
Juscelino Kubitschek

Longo, o manifesto de Jango, Juscelino e Lacerda, elaborado e articulado pelo maranhense Renato Archer, finaliza com um forte apelo à mobilização, organização e união do povo brasileiro:

" Se para a recomendação e adoção de tais diretrizes o simples amor ao Brasil é capaz de inspirar este entendimento entre adversários,de prodígios bem maiores será capaz o povo mobilizado e organizado,uma vez recuperada a esperança que perdeu. Com esse entendimento procuramos dar exemplos de grandeza. Possa o sentimento de dever com a pátria inspirar todos os brasileiros para que juntos consigamos o que separados mão poderíamos fazíamos fazer. Pela união popular para libertar, democratizar e desenvolver o Brasil".

Dois anos depois, com a edição do AI-5 (Ato Institucional que revelou sem disfarces o caráter ditatorial do regime militar: além de colocar em recesso por prazo indeterminado o Congresso Nacional, suspendeu o instituto do habeas corpus e instituiu a censura prévia entre outras violências),o deputado federal pelo MDB maranhense Renato Archer Baima da Silva.oficial da Marinha brasileira, tem seu mandato cassado e seus direitos políticos suspensos.

A partir desse momento, Renato foi preso várias vezes. Em uma delas ficou incomunicável por vários dias. Colegas de Renato da Escola Militar resgataram-no desta prisão. Não fora este gesto talvez tivesse tido o mesmo destino do ex-deputado federal Rubem Paiva, assassinado nos porões da ditadura.

Renato enfrentou com coragem todos esses percalços. Com a mesma galhardia com que enfrentou o Marechal-ditador Humberto Alencar Castelo Branco em 1965 quando disputou e perdeu para José Sarney as eleições para o governo do Maranhão. Candidato dos ditatores militares, adotado pelos generais que tanto bajulava, Sarney obrou de tal sorte que conseguiu que o ditador Castelo Branco despachasse o seu general chefe da Casa Militar para Belém do Pará. De lá convocou o então governador maranhense Newton de Barros Bello. A ordem era clara: o PSD do governador não poderia apoiar a candidatura de Renato Archer. A ameaça cristalina: se desobedecesse, Newton seria cassado. (Mesmo tendo obedecido, acabou perdendo seus direitos políticos após deixar o governo)

Newton Belo e o PSD lançaram o médico e ex-prefeito de São Luis, Antonio Eusébio Costa Rodrigues. Archer resistiu e foi candidato pelo PTB. Divididos, perderam a eleição de turno único. José Sarney ganhou o governo graças a descarada intervenção dos militares ditadores. Desde então não parou de obrar fraudes e intervenções de toda sorte para, sem votos e sem apoio popular, manter seu poder oligárquico.

Haroldo Saboia, economista, advogado, Constituinte de 1988, escreve para o Jornal Pequeno todas as sextas-feiras. E-mail: haroldosaboia@hotmail.com

Quem é José Ribamar de Araújo Costa? Parte 2

 

Sobre Sarney e Victorino Freire

No Maranhão, repete-se com insistência que José Sarney derrotou Vitorino Freire. Isto foi repetido tantas vezes que muitos acabam acreditando. Afinal, a sabedoria popular diz que uma mentira repetida mil vezes acaba se tornando verdade.

Contudo, esta afirmação não corresponde à verdade. Nunca houve entre os dois um combate direto e definitivo. nunca disputaram eleição para um mesmo cargo.

  

Victorino Freire

A história mostra que José Sarney apenas substituiu Vitorino Freire no comando da atrasada política maranhense. E substituir, mesmo que a contragosto do substituído, é muito diferente de derrotar.



Primeiro é preciso ficar claro que Sarney é um produto do vitorinismo. Ele começou na política maranhense protegido pelo pai, o desembargador Sarney Costa, amigo de Vitorino Freire e presidente do TRE, num período em que as eleições no Maranhão eram marcadas por enormes fraudes eleitorais, montados para ajudar os candidatos do vitorinismo.

Em 1965, Sarney se elege governador do Maranhão iniciando ali a construção do seu próprio esquema de poder. Disputaram o governo naquela eleição três candidatos. Todos nascidos dentro do PSD, e do esquema de Vitorino.  

Coincidentemente, nenhum dos três foi lançado pelo próprio Vitorino Freire, que chegou naquela eleição politicamente fraco, rompido com o então governador Newton Bello e sem o controle do PSD, o partido que simbolizava o seu poder no Maranhão. 

Os concorrentes de Sarney naquela eleição foram Renato Archer e Costa Rodrigues. Sem força para lançar um candidato de sua confiança, Vitorino acabou, por exclusão e sem entusiasmo, apoiando Renato. Um apoio que visava mais atrapalhar a candidatura de Costa Rodrigues (lançada por Newton Belo) do que propriamente ajudar Renato Archer a ganhar a eleição.



Newton e Vitorino travaram ali uma grande batalha pelo controle do PSD. Ao final não houve vencedor e o PSD ficou impedido de participar da eleição de 65. Vitorino e Newton procuraram outros partidos para poder participar daquele pleito.



As chamadas Oposições Coligadas, grupo que reunia os adversários históricos de Vitorino, tinham no deputado federal Neiva Moreira uma opção para aquela disputa ao governo. Mas Neiva foi cassado pela ditadura e teve que ir para o exílio.

 Diante da falta de alternativa a oposição decidiu apoiar Sarney, que havia sido um dos primeiros a brigar com o governador Newton Bello. 

Para que o apoio a Sarney fosse formalizado tiveram que ser superadas sérias divergências do passado, quando Sarney foi publicamente acusado por essa mesma oposição de ser beneficiado pela fraude eleitoral orquestrada por seu pai.

 Mas as Oposições Coligadas serviram para Sarney apenas como moldura. Ele ganhou aquela eleição de 1965 por conta do esfacelamento do PSD e, principalmente, do apoio que recebeu da ditadura militar instalada no Brasil no ano anterior. Foi a ditadura que determinou a vitória dele!

Em resumo, a disputa  que enfraqueceu Victorino foi contra Newton Bello. Ambos, perderam, pois ficaram fracos politicamente e acabaram sendo cassados! Sarney foi o escolhido, pela ditadura militar, para assumir a liderança política. 

E tem mais, muito mais ...


segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Quem é José Ribamar de Araújo Costa? Parte 1

Maranhão


É verdade que quase ninguém sabe quem é José Ribamar, mas quase todo brasileiro conhece José Sarney!

Acredito que uma análise da carreira de José Ribamar, permita compreender o jeitinho brasileiro de se fazer política nos últimos 50 anos. É claro que antes de tentar proceder esta análise, devemos conhecer o currículo de José Ribamar. 

José Ribamar de Araújo Costa (24/04/1930), político e escritor brasileiro, foi o 31o Presidente do Brasil  (1985 a 1990) , Governador do Maranhão de 1966 a 1971, e Presidente do Senado de 1995 a 1997, 2003 a 2005, de 2009 a 2011 e de 2011 até o presente.

Bacharelou-se em Direito na Universidade Federal do Maranhão em 1953. Ingressou na carreira política em 1954, quando foi suplente de Deputado Federal pelo Partido Social Democrático (PSD).

Não conformado com a liderança partidária de Vitorino Freire (veja quem foi Vitorino Freire na parte 2 deste post), migrou para a União Democrática Nacional (UDN), onde foi eleito deputado federal em 1958 e 1962 e, com o apoio do Presidente Castelo Branco, elegeu-se Governador do  Maranhão em 1965.

Pela ARENA - Aliança Renovadora Nacional, foi eleito Senador em 1970 e 1978. Foi presidente  da ARENA e do partido que a sucedeu, o Partido Democrático Social  (PDS), durante o governo do Presidente João Figueiredo. Arena e PDS foram os partidos criados pela ditadura para dar sustentação política ao seu governo.

Em 1985,  descontente com a candidatura de Paulo Maluf à presidência da República, Sarney retirou-se do PDS para criar o Partido da Frente Liberal (PFL) e assim, aliar-se ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB) e concorrer à vice-presidência na chapa liderada por Tancredo Neves.


Tancredo e Sarney foram eleitos com 72,40% dos votos. A posse de Tancredo, que deveria a ocorrer em março, não ocorreu por doença e posterior morte do presidente-eleito. Coube a Sarney assumir a Presidência do Brasil.

Durante o governo Sarney, em 1985, realizaram-se as primeiras eleições diretas para prefeitos das capitais em vinte anos, foram legalizados os partidos políticos  clandestinos e extinta a censura. Em 1986, ocorreram as eleições para o Congresso Constituinte que promulgou a Constituição Brasileira de 1988. Foi também em seu governo que houve a primeira eleição presidencial direta do país desde 1960.

Seu mandato caracterizou-se por uma gravíssima crise econômica, que se transformou em um quadro de hiperinflação e moratória dos pagamentos da dívida externa.  Na tentativa de contornar o problema, instituiu o Plano Cruzado, em 1986. Em um primeiro momento, conseguiu certa contenção dos preços. O plano, contudo,  perdeu sua eficiência ao enfrentar uma grave crise de abastecimento e a volta da escalada inflacionária.

Juntos, Sarney e seu último ministro da Fazenda, Mailson da Nóbrega, levaram o país ao fundo do fundo do poço. Inflação, que atingiu mais de 72% ao mês, foi acompanhada pelo descontrole da dívida pública, alta no desemprego e aumento da miséria. O Brasil apresentava forte queda na produtividade, desesperança e baixa autoestima.

Em 2009, como Senador pelo Amapá,  foi eleito pela terceira vez  Presidente do Senado. Apesar de enfrentar graves crises que mostravam sua vinculação direta com a chefia de oligarquias, nepotismo, atos secretos, favorecimento de interesses econômicos e políticos escusos, Sarney se elegeu pela quarta vez presidente do Senado em fevereiro de 2011.




E tem muito mais, infelizmente ...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Enchentes no Rio de Janeiro.


As águas sobem tanto quanto salário de político!

As mortes, as perdas patrimoniais, o sofrimento e o medo que as chuvas de verão já causaram este ano entristeceram todos os brasileiros. A dedicação de bombeiros, da defesa civil e da população é louvável.

Com certeza, nós, que nos preocupamos com a administração pública, sentimos ainda mais. Além de vermos nossos patrícios lutando desesperadamente por condições minimamente aceitáveis de sobrevivência, cabe-nos avaliar o que pode ser feito para evitar sua repetição.
https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhTASm2DtL1ysxs_euH_vA5rkwkJzPpKMZzncUmF3pc8RzKz5jPyylV3p0hl-m5i4thTcAyyvz4WNFWb0ou2b5SLR7fNgw5z0q9SHTIXbBV_VY12nxBxvUbtgk1X3AUcDmCMfLk0jkWGfs/s400/enchente+2.jpg

Alguns podem argumentar que pouco podemos fazer para enfrentar a fúria do clima.

Eu discordo. Podemos criar e aplicar estratégias que minimizem seus estragos. Pensando nisso, lembrei-me que no verão passado também houve uma tragédia causada pelas chuvas. De fato, as enchentes no Rio de Janeiro em abril de 2010  causaram mais mortes do que qualquer outro incidente semelhante, no mesmo ano, em qualquer parte do mundo. Na ocasião, as autoridades brasileiras confirmaram que pelo menos 95 pessoas morreram.

Resolvi, a seguir, voltar um pouco mais no calendário. Retornei quase 40 anos no tempo. Voltei a  10 de março de 1971, graças a versão digital da revista Veja.

http://veja.abril.com.br/acervodigital/home.aspx

Vejam o que encontrei.




Separei o seguinte trecho para lermos com mais detalhe.





O que vocês acham? A propósito, vejam a capa de mesma revista Veja em 19 de janeiro de 2011!

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Não é parlamentar. É para lamentar.


Aplausos deste blogueiro ao Bispo Manuel Edimilson da Cruz!


Em protesto contra o reajuste nos salários dos parlamentares, o bispo Manuel Edimilson da Cruz recusou a comenda "Direitos Humanos Dom Helder Câmara" oferecida pelo Senado ao religioso e autoridades que se destacaram em favor dos direitos humanos. Dom Manuel, bispo de Limoeiro (CE), recusou a homenagem em discurso no plenário da Casa, num discurso com ataques ao Legislativo.



"Sem ressentimentos e agindo por amor e por respeito a todos os senhores e senhoras, pelos quais oro todos os dias, só me resta uma atitude: recusá-la", afirmou.


A atitude do bispo surpreendeu os senadores. Num ataque ao Congresso, o bispo disse que o aumento dos parlamentares deveria ter seguido o reajuste do salário mínimo -- por isso se transformou em um "atentado" aos direitos humanos dos brasileiros.


"A honrosa comenda dos 'pais da pátria', como diriam os romanos, faz-me refletir. Precatórios que se arrastam por décadas, aposentados, idosos com as suas aposentadorias reduzidas, salários mínimos que crescem em ritmo de lesmas", criticou.


Dom Manuel disse que chegou a cogitar não comparecer ao Congresso para recusar a comenda, mas disse que mudou de ideia porque o "verdadeiro Legislativo" merece respeito.

"O povo brasileiro, hoje de concidadãos e concidadãs, ainda os considera parlamentares? Graças ao bom Deus, há exceções decerto em tudo isso. Mas excetuadas estas, a justiça, a verdade, o pundonor, a dignidade e a altivez do povo brasileiro já tem formado o seu conceito.

Quem assim procedeu não é parlamentar. É para lamentar."

Como muitos senadores já anteciparam o recesso parlamentar que tem início na quinta-feira, o plenário estava vazio no momento do discurso do bispo -- com poucos congressistas presentes. O religioso chegou a receber a comenda, no início da sessão plenária, mas recusou a homenagem durante seu discurso.


O senador José Nery (PSOL-PA), que presidia a sessão no momento do protesto do bispo, disse que o Congresso deveria refletir sobre o reajuste após o protesto do bispo. "Entendemos o gesto, o grito, a exigência de dom Edmilson da Cruz. Exige que o Congresso Nacional reavalie a decisão que tomou em relação ao salário de seus parlamentares", afirmou.

REAJUSTE
 
Os congressistas aprovaram em votações-relâmpago o projeto que aumenta os salários dos próprios deputados e senadores, do presidente, do vice e dos ministros de Estado para R$ 26,7 mil. O aumento valerá a partir de fevereiro de 2011.
O novo valor é o mesmo dos vencimentos dos ministros do Supremo Tribunal Federal, que serve como teto do funcionalismo público. Hoje, deputados e senadores ganham R$ 16,5 mil (reajuste de 61,8%), o presidente da República, R$ 11,4 mil (133,9%), e o vice e os ministros, R$ 10,7 mil (148,6%).
Antiga aspiração de congressistas, a equiparação salarial aos vencimentos dos ministros do STF causará um efeito cascata em Assembleias e Câmaras Municipais que, somado ao gasto extra no Congresso, alcançará pelo menos R$ 1,8 bilhão ao ano.


O deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), que se tornou conhecido nacionalmente quando afirmou que “se lixava para a opinião pública”, fará parte como suplente da nova Mesa Diretora. Ele foi eleito em 01 de fevereiro de 2011 ao receber o apoio de 395 deputados, 20 votos a mais, inclusive, que o presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), reconduzido ao cargo.




Sérgio Moraes terá como atribuição substituir nas ausências o novo quarto-secretário, Júlio Delgado (PSB-MG). Entre as principais tarefas da Quarta Secretaria, estão a distribuição e a manutenção dos apartamentos funcionais da Câmara e a concessão do auxílio-moradia para os parlamentares que não moram nos imóveis da Casa.

Sua Excelência Dep. Federal Sérgio "lixa" Moraes (PTB-RS)


Esta é a segunda vez nos últimos quatro meses que Sérgio Morais demonstra ser bom de voto depois da polêmica declaração. Em outubro, ele foi reeleito para o segundo mandato consecutivo na Câmara com 97,7 mil votos.