A Universidade Federal do Pará não
assiste a uma greve de professores há sete anos. E durante todo esse
tempo, muito se foi feito para tentar evitar que esta acontecesse. Entre
tentativas frustradas de negociações e acordos, em 2011, o Governo
Federal se comprometeu com o ANDES – SN (sindicato que representa os
professores das Instituições Federais de Ensino) a realizar reajuste
salarial de 4% e reestruturação da carreira docente até março de 2012.
Descumpriu. E o reajuste dado no final de maio desde ano, com clara
intenção de frear as mobilizações docentes, não atendeu a principal
reivindicação da categoria: a carreira única, a reestruturação da
carreira com a valorização do piso e a incorporação das gratificações
aos salários, ou ainda a melhoria das condições de trabalho nas IFES
(Instituições Federais de Ensino Superior).
Não é por coincidência que a greve já tem ampla aceitação nacional (até hoje, 43 Universidades estão paralisadas) e se configura como a maior greve dos dez últimos anos. Ao contrário do que propagandeia o governo, a situação das Universidades Federais tem piorado. E não podia ser diferente: devido ao REUNI, as Universidade vêm passando por um processo de expansão sem o aumento proporcional de infra-estrutura e do corpo docente, o que tem ocasionado reflexos bastante problemáticos. Falta sala de aula, laboratório, restaurante e moradia universitária… Professores tiveram sua carga horária aumentada em até 40% e aumento na relação professor/aluno, gerando salas de aula cada vez mais super lotadas.
Não bastasse isso, só nos últimos dois anos, o governo Dilma (PT) cortou
aproximadamente R$ 5 bilhões da educação, enquanto metade do Orçamento é
destinada integralmente ao pagamento da dívida pública. Impossível não
citar, também, a proposta do Plano Nacional da Educação (PNE)
apresentada pelo governo com metas de aplicação de apenas 7% do PIB para
a educação até 2020, contrariando as reivindicações do movimento
estudantil brasileiro que reivindica 10% do PIB pra educação pública,
Já!
Fica claro, então, o projeto do governo em relação à educação
pública do país: a concepção neoliberal que submete os bens públicos a
privatizações e parcerias público-privadas e que não prioriza a
educação!
E nós estudantes, o que temos com isso?
Toda essa situação tem nos prejudicado muito. Mas não é a greve que nos atrapalha, nem são os professores os culpados por ela. O reflexo de todos os ataques feitos pelo governo é percebido por nós, em nosso dia-a-dia na universidade. As aulas de alguns laboratórios de publicidade estão superlotadas; os equipamentos eletrônicos necessários para a realização dos laboratórios (máquinas fotográficas, gravadores…) são insuficientes e sucateados; corpo docente da Facom tem de fazer milagres para garantir todas as disciplinas obrigatórias de um semestre, e se dividir entre a pós e a graduação.
Toda nossa vivência acadêmica é prejudicada pelo sucateamento das universidades públicas e somos diretamente atingidos pela precarização do trabalho docente, afinal, professores sobrecarregados não conseguem se dedicar como deveriam à sala de aula e muito menos à pesquisa e à extensão.
Por isso, tornamos público nosso apoio e solidariedade à luta dos professores. Por entendermos que lutar pela reestruturação da carreira docente e por melhores condições de trabalho é também lutar pela qualidade da nossa formação, em defesa da educação pública, gratuita e de qualidade.
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