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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O trabalho e "como o Brasil ficou para trás" - Atividade 4 de Seminário

ATIVIDADE




Este capítulo colocou em justaposição dois textos: uma apostila de aula sobre o tema Trabalho e um texto de Sergio Buarque de Holanda sobre a Sociedade Mineradora. Apesar parecem desconexos entre si, os dois textos têm um ponto em comum: o tema referente ao trabalho. Um realiza uma retrospectiva sobre a sua evolução e as concepções; o outro analisa como o preconceito contra o trabalho foi se formando nos grupos humanos, que passaram de errantes a sedentários, de homens pobres a homens e cabedais, de aventureiros garimpeiros a letrados bacharéis, de errantes a magistrados.



Muitas são as conclusões possíveis, mas a principal é, de um lado, como as metrópoles ibéricas católicas, em contraposição à metrópole anglo-saxônica, agiam prestigiando o trabalho e valorizando o ócio diletante, a contemplação. De outro lado, como a sociedade e o Estado, no Brasil, foram e são afetados por uma mentalidade historicamente construída de ver no trabalho algo vil, desprezível, operado pela arraia miúda e por escravos.



Na chamada marcha da racionalidade, que o mundo Ocidental empreendeu nos últimos séculos, o Brasil ficou para trás. Qual teria sido o motivo? Qual a visão de trabalho teria sido a causa disso? Justifique seu ponto de vista.



Solução:

Em minha opinião, embora eu reconheça sua importância, o trabalho adquiriu, como conseqüência do capitalismo, um status de semi-Deus. Acredito que as questões expostas por Paul Lafargue em “O direito à preguiça” (1880), permanecem bastante atuais. Afinal, se novas tecnologias permitem a automação da produção, uma redução da carga de trabalho permitiria que a produção se mantivesse em níveis estáveis. Por exemplo, se o trabalho de três homens pode ser executado por uma máquina, e esta máquina é controlada por apenas um operário, o proprietário pode demitir dois funcionários sem que sua produção seja afetada. Por outro lado, ele também pode manter seus funcionários trabalhando por um número menor de horas, revezando o operário que controla a máquina. Neste último cenário, a produção se mantém estável, o nível de emprego se mantém estável e os operários tem mais tempo para desfrutar da vida. Todos saem ganhando!!



A apostila também cita o trabalho de Marcuse, (1973) que diz:

“O trabalho, no mundo do século XX, tornou-se alienado e alienante, castrando os indivíduos como seres políticos pensantes. A ocupação no trabalho durante oito horas, quando quatro seriam suficientes para as necessidades e não para o supérfluo, tem o propósito de manter as massas ocupadas e obedientes, abafar protestos, manter a inércia de um sistema que, criando permanentemente necessidades, se auto-reproduz. O produto do trabalho e o seu consumo escravizam, num círculo de dominação, cooptando o indivíduo, que já não sabe mais se opor e destacar.”



Pessoalmente até considero que a própria pergunta que dá origem a esta atividade é preconceituosa. A idéia que “o Brasil ficou para trás” traz dentro de si o conceito do trabalho semi-Deus. Será que devemos assumir que o personagem “Tio Patinhas” tem a vida ideal? Será que o melhor para a população é guardar sua moeda de número um, guardar dinheiro em cofres e, ter como único divertimento nadar em dinheiro dentro de uma caixa-forte? Ou será que não é melhor poder cantar:



“Moro num país tropical, abençoado por Deus

E bonito por natureza, mas que beleza

Em fevereiro (em fevereiro)

Tem carnaval (tem carnaval)

Tenho um fusca e um violão

Sou Flamengo

Tenho uma nêga

Chamada Tereza”



A discussão acima foi inspirada em: “Sobre O direito à preguiça de Paul Lafargue” de autoria de Suzana Guerra Albornoz, publicado em Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 2008, vol. 11, n. 1, pp. 1-17.



Acessado eletronicamente (http://pepsic.bvsalud.org/pdf/cpst/v11n1/a02v11n1.pdf) em 10/novembro/2010.

domingo, 21 de novembro de 2010

Carta de Pero Vaz de Caminha - Seminário - Tarefa 5

ATIVIDADE 5






1 - Extraia três frases da carta em que fica claro:

a) que o Brasil é um empreendimento mercantil.

“Até agora não pudemos saber se há ouro ou prata nela, ou outra coisa de metal, ou ferro; nem lha vimos.”

“Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo.”

“ ... um deles fitou o colar do Capitão, e começou a fazer acenos com a mão em direção à terra, e depois para o colar, como se quisesse dizer-nos que havia ouro na terra. E também olhou para um castiçal de prata e assim mesmo acenava para a terra e novamente para o castiçal, como se lá também houvesse prata!”



b) Em que a fé católica é pretexto para legitimar a posse por Portugal.

“Plantada a cruz, com as armas e a divisa de Vossa Alteza, que primeiro lhe haviam pregado, armaram altar ao pé dela.”



“E o Ele nos para aqui trazer creio que não foi sem causa. E portanto Vossa Alteza, pois tanto deseja acrescentar a santa fé católica, deve cuidar da salvação deles. E prazerá a Deus que com pouco trabalho seja assim!”



“Parece-me gente de tal inocência que, se nós entendêssemos a sua fala e eles a nossa, seriam logo cristãos, visto que não têm nem entendem crença alguma, segundo as aparências.”



“E portanto se os degredados que aqui hão de ficar aprenderem bem a sua fala e os entenderem, não duvido que eles, segundo a santa tenção de Vossa Alteza, se farão cristãos e hão de crer na nossa santa fé, à qual praza a Nosso Senhor que os traga, porque certamente esta gente é boa e de bela simplicidade. E imprimir-se-á facilmente neles qualquer cunho que lhe quiserem dar, uma vez que Nosso Senhor lhes deu bons corpos e bons rostos, como a homens bons.”









d) Em que há descrição da paisagem natural.

“Águas são muitas; infinitas. Em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo; por causa das águas que tem!”



“Andamos por aí vendo o ribeiro, o qual é de muita água e muito boa. Ao longo dele há muitas palmeiras, não muito altas; e muito bons palmitos.”



“E chegamos a uma grande lagoa de água doce que está perto da praia, porque toda aquela ribeira do mar é apaulada por cima e sai a água por muitos lugares.”



“Esta terra, Senhor, parece-me que, da ponta que mais contra o sul vimos, até à outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte e cinco léguas de costa. Traz ao longo do mar em algumas partes grandes barreiras, umas vermelhas, e outras brancas; e a terra de cima toda chã e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta é toda praia... muito chã e muito formosa. Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande; porque a estender olhos, não podíamos ver senão terra e arvoredos -- terra que nos parecia muito extensa.”





e) Em que há descrição dos corpos e mentalidade dos nativos.

“Pardos, nus, sem coisa alguma que lhes cobrisse suas vergonhas. Traziam arcos nas mãos, e suas setas.”

“A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais caso de encobrir ou deixar de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. Acerca disso são de grande inocência.”



“E alguns, que andavam sem eles, traziam os beiços furados e nos buracos traziam uns espelhos de pau.”



“Também andavam entre eles quatro ou cinco mulheres, novas, que assim nuas, não pareciam mal. Entre elas andava uma, com uma coxa, do joelho até o quadril e a nádega, toda tingida daquela tintura preta; e todo o resto da sua cor natural. Outra trazia ambos os joelhos com as curvas assim tintas, e também os colos dos pés; e suas vergonhas tão nuas, e com tanta inocência assim descobertas, que não havia nisso desvergonha nenhuma.”



“Davam-nos daqueles arcos e setas em troca de sombreiros e carapuças de linho, e de qualquer coisa que a gente lhes queria dar.”



“E eles entraram. Mas nem sinal de cortesia fizeram, nem de falar ao Capitão; nem a alguém.”





https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgasER46I0nP9p-wCzZVuuYkWUyUif6x89usxLpBRr6tSYuZfRbLGwOEQ1gPN7LgqQA5p1_V8rIdgOpRSBL-AqeaDm-lipdProII6ZLcNSFbnvszDMt8mTucMj9Tp-hj_ShMNVtKATXFq4k/s400/nepotismo.JPG


2 - Em qual passagem da carta há uma manifestação explicita de nepotismo.

“E pois que, Senhor, é certo que tanto neste cargo que levo como em outra qualquer coisa que de Vosso serviço for, Vossa Alteza há de ser de mim muito bem servida, a Ela peço que, por me fazer singular mercê, mande vir da ilha de São Tomé a Jorge de Osório, meu genro -- o que d'Ela receberei em muita mercê.”



Observação:

Todos os trechos apresentados entre aspas são citações diretas obtidas através da Carta de Pero Vaz de Caminha que relata o “achamento”.

O escrivão Pero Vaz de Caminha discorre, em sua carta, acerca do ¨descobrimento¨ do território na época denominado pelos portugueses de Terra de Vera Cruz – hoje compreendido como Porto Seguro. Datada de primeiro de março de 1500, relata minunciosamente ao Rei e amigo(ROSA, 1999), Dom Manuel I, a situação encontrada nas novas terras, bem como a presença de selvagens no novo território e seus respectivos costumes.




Durante toda a extensão do relato Caminha narra os cinquenta e quatro dias de viagem ao Rei de Portugal, frisando a fidedignidade dos fatos ali contados. O cronista informa Dom Manuel acerca do avistamento de novas terras no dia 22 de abril, da presença de habitantes locais, dos primeiros contatos com essa ¨jente bestial e de pouco saber¨ (CAMINHA, 1500, p. 135), das práticas de escambo, da possível existência de metais preciosos e do falecimento de toda aquela gente em¨seer toda christa㨠(CAMINHA, 1500, p. 140).



Seu relato afirma que a vista de terra se deu na manhã do dia 22 de abril, na qual a primeira visão dos ¨caraíbas¨ foi um Monte – mais tarde denominado pelo capitão como Monte Pascoal. Após esse primeiro contato com o novo território os portugueses decidiram por uma maior aproximação. No dia seguinte, enquanto se aproximavam da costa, encontram alguns selvagens - cerca de sete ou oito.



Os primeiros contatos com essa gente foram realizados por Nicolau Coelho. Os ¨selvagens¨ eram ¨pardos, todos nuus, sem nenhuũa cousa que lhes cobrise suas vergonhas¨ (CAMINHA, 1500, p. 128). Num primeiro momento os índios, que estavam portando arcos e flechas, os mantiveram em posição de ataque. Contudo ao primeiro sinal de amizade por parte dos visitantes, os nativos baixaram as armas e começaram uma amigável troca de pertences.



A prática de escambo teve início paralelamente ao primeiro contato entre essas culturas tão incongruentes. Os caraíbas ofereceram sombreiros, carapuças e barretes e como retribuição receberam arcos, cocares, ramais – todos esses encaminhados a Dom Manuel, posteriormente.



Durante esses primeiros contatos, Caminha suspeitou da existência de metais preciosos nas terras recém descobertas. Os índios, quando viam objetos de ouro ou prata, logo começavam a apontar para o interior das terras. Segundo Caminha, isso poderia ser um sinal de que ali haveria tais riquezas. ¨E começou d açenar coma maão pera a terra, e despois pera o colar, com o que nos dezia que avia em tera ouro¨ (CAMINHA, 1500, p.129).



Ao longo da viagem os portugueses realizaram algumas missas. Enquanto essas eram celebradas por Frei Henrique, Caminha notou que os índios acompanhavam e inclusive participavam da celebração. ¨Aly esteveram comnosco a ela obra de l ou lnx d eles asentados todos em giolhos¨ (CAMINHA, 1500, p.139). Ao passo de que logo ele concluiu que ¨o mjlhor fruito que neela se pode fazer me pareçe que será salvar esta gente¨ (CAMINHA, 1500, p.140) através do ¨acrecentamento da nosa santa fé¨ (CAMINHA, 1500, p.140).



Fica evidente o estranhamento cultural e as impressões, quase nunca positivas, acerca dos indígenas. Contaminado por uma cegueira moral, um ¨eurocentrismo¨, Pero inunda sua carta de críticas aos hábitos indígenas. Existe uma necessidade, por parte dos europeus, de imposição cultural perante esses ¨selvagens¨.



Logo, ficam claras as intenções portuguesas. Elas se baseavam no mercantilismo e na expansão da fé católica. Apesar da carta perpassar por uma longa narrativa dos fatos vivenciados nas novas terras, o escrivão tem em mente sempre esses dois objetivos principais. O final da carta é esclarecedor e ratifica os objetivos portugueses: ¨Neela ataa agora nom podemos saber que aja ouro nem prata, nem nenhuũa cousa de metal, nem de fero, nem lh o vimos; […] Pero o mjlhor fruito que neela se pode fazer me pareçe que será salvar esta jemte; e esta deve seer a principal semente que Vosa Alteza em ela deve lamçar¨ (CAMINHA, 1500, p.140).



Referências Bibliográficas:



ROSA, CARLOS. ¨Apresentação¨ in:¨A carta de Pero Vaz de Caminha¨. Folha de São Paulo, 1999. Edição especial.



CAMINHA, PERO VAZ DE. ¨Carta de Pero Vaz de Caminha¨ (1500) in: Jaime Cortesão. A expedição de Pedro Álvares Cabral e o Descobrimento do Brasil. Lisboa: IN/CM, 1994.







Fonte: http://www.webartigos.com/articles/35653/1/Analise-da-Carta-de-Pero-Vaz-de-Caminha/pagina1.html#ixzz15upYYhj3

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Importante: Compartilhando mensagem recebida de um amigo

 Olá Pessoal,

Estou compartilhando uma mensagem recebida de um amigo. 

MAX GEHRINGER

 

Será que serve como resposta para a atividade de Seminário? 

Na chamada marcha da racionalidade, que o mundo Ocidental empreendeu nos últimos séculos, o Brasil ficou para trás.  Qual teria sido o motivo? Qual a visão de trabalho teria sido a causa disso.  Justifique seu ponto de vista?

 

Viver ou Juntar dinheiro?

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico. Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.
Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei.
Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em itens supérfluos e descartáveis.
Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro.
Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer?
Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em itens supérfluos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade.

Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.

"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO"


Que tal um cafezinho?

 

 

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Será que é apenas coincidência??? atividade 4 de Seminário!!

Olá Pessoal,

Vejam só o que encontrei em:

http://br.answers.yahoo.com/question/index?qid=20090325065144AAAea1g

Dois anos atrás,  Bruno (!?) postou, no endereço eletrônico de perguntas do Yahoo, a seguinte questão:

Na chamada marcha da racionalidade, que o mundo Ocidental empreendeu nos últimos séculos,O Brasil ficou para trás. Qual teria sido o motivo? Qual a visão de trabalho teria sido a causa disso.Justifique seu ponto de vista?

A melhor resposta foi:

Melhor resposta - Escolhida por votação

Nas circunstancia atuais tinha que ficar mesmo. Faz parte da racionalidade que o mundo tem que acabar com a miséria, com a fome, com a ociosidade, com a corrupção, com e esmola como um todo e isso tem uma coisa fundamental: Trabalho. No nosso país o trabalho é sinal de ser bobo, quem não aceita uma esmola em troca de um voto é ser idiota. O governo fomenta a vagabundagem com subsídios usado dos cofres público, dinheiro de quem trabalha e o mst é o exemplo mais escandaloso disso sem falar nas bolsas esmolas pra tudo. Um país com esse tipo "desenvolvimento" não tem como acomnpanhar nações desenvolvidas nunca.
  • 2 anos atrás

Alguém reconhece a pergunta??
[]´s

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Tarefa 3 - Seminário

Tarefa 3
Você conseguiu identificar para qual das correntes de interpretação do Brasil pende a preferência de Octavio Ianni? E qual ou quais dessas interpretações do Brasil você considera a mais convincente? Identifique-a (s) e apresente os argumentos que justifiquem a sua escolha.

Solução:

A leitura do texto da apostila não me parece ser suficiente para formar um juízo definitivo sobre a opinião pessoal de Octavio Ianni. Assim, decidi investigar um pouco sobre outros trabalhos deste autor. Ele foi um sociólogo brasileiro que nasceu em Itu em 1926 e faleceu em São Paulo em 2004. Ianni publicou dezenas de artigos e livros e manteve, durante décadas, uma carreira ativa dedicada ao ensino e pesquisa. Após sua morte, foi homenageado com um Dossiê (Estudos de Sociologia, Araraquara, 16, 165-205, 2004). O texto completo pode ser encontrado no sítio:

http://www.fclar.unesp.br/soc/revista/artigos_pdf_res/16/10resenhas.pdf

Eu acessei este conteúdo em 04 de novembro de 2010. Ianni, que foi discípulo de Florestan Fernandes, discutiu durante sua longa carreira a condição social do negro brasileiro. Mais que isso, a questão do negro no Brasil foi objeto de sua constante militância.

“Questiona, em seus trabalhos, não apenas a bibliografia consagrada sobre a questão ética, mas também os comportamentos que fundam as relações sociais no Brasil. Mostra como, ao definir-se a situação da população negra e mulata no Brasil, a raça é elemento dos mais importantes, pois funda a assimetria das relações sociais. Essa ausência de paralelismo nas trocas sociais leva à configuração de uma desigualdade perversa, não só porque impede que grande parte da população tenha acesso aos bens sociais, como opera como reprodutora da condição de excludência.” Maria Arminda do Nascimento ARRUDA em Estudos de Sociologia, Araraquara, 16, 169-171, 2004.

Em minha opinião, Ianni enxerga pontos de relevância para a formação em cada uma das vertentes listadas e procura extrair delas elementos que permitam, mais que compreender nossa sociedade, diminuírem as diferenças sociais, principalmente aquelas relativas aos problemas raciais.


Em minha visão, identifico o povo brasileiro como formado por indígenas, conquistadores portugueses, africanos trazidos como escravos, imigrantes europeus, árabes e asiáticos incorporados como trabalhadores livres. Unidos por uma relação baseada no escambo e na escravidão, no colonialismo e no imperialismo, na urbanização e na industrialização, por meio da qual se dá a formação de uma sociedade de castas, e, posteriormente, de uma sociedade de classes.

Reconheço o conceito de 'cordialidade' do brasileiro, de Sérgio Buarque de Holanda; a miscigenação racial e o Estado patriarcal de Gilberto Freyre; a discussão de nosso passado colonial, de Caio Prado Júnior; a análise de Raymundo Faoro quanto ao peso do Estado sobre a nação. Acredito que qualquer tentativa de se entender o Brasil passa por todos esses pensadores. Aí reside a grande importância da contribuição de Ianni: apresentar um pensamento rico permitindo que os interessados em entender o Brasil encontrem os aspectos fundamentais da formação cultural e política de todos os brasileiros.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

tarefa 1 - Seminário

1 - Por que da obra de Maquiavel surgiu a idéia de que a política tem uma ética própria?

O famoso escritor florentino acreditava que política é um jogo de forças onde todos os meios de luta são legítimos e louváveis. Segundo ele, o fundamental é defender o Estado, pois este seria a única defesa dos bens materiais e espirituais dos homens contra a barbárie. Por acreditar que na ausência de governo instalar-se-ia o caos, ele se dedicou a expor detalhadamente como o governante deveria proceder para conquistar, praticar, manter o poder e impedir que o caos se instalasse. Assim, se para garantir o estado qualquer meio é admissível, então as éticas religiosa, moral e filosófica não se aplicam à política, ou seja, esta tem sua própria ética.

2 - Os EUA são um país hegemônico pelas armas e pelas idéias atualmente. Responda à luz das idéias de Gramsci: Por quais razões se diz que os EUA perderam a hegemonia espiritual nos últimos anos, ficando apenas com a hegemonia das armas? Qual das hegemonias você acha mais efetiva?


Segundo Gramsci, o estado é um conjunto complexo de atividades que a classe dirigente utiliza para manter e justificar os dispositivos coercitivos que aplica para exercer sua hegemonia. De modo totalmente análogo podemos observar a existência de hegemonia entre nações. Um país é hegemônico quando é capaz de impor dispositivos coercitivos sobre as demais nações. Com a queda da União Soviética, os Estados Unidos tornaram-se "a única superpotência" e começaram a utilizar a nova configuração de poder no mundo para expandir o seu domínio sobre todos os possíveis rivais. Em Outubro de 2001, os Estados Unidos iniciaram a sua "guerra ao terrorismo", bombardeando e invadindo o Afeganistão para eliminar a rede al-Qaeda, responsável pelos ataques em Nova York e Washington. Um ano depois, a administração Bush declarou que utilizaria força militar contra quaisquer "adversários potenciais... que aspirassem construir um poder militar com a esperança de ultrapassar, ou equalizar, o poder dos Estados Unidos" (The National Security Strategy of the United States, Setembro 2002).

Em março de 2003, os Estados Unidos tentaram obter das Nações Unidas uma resolução autorizando a utilização da força para "desarmar" o Iraque. O esforço acabou em uma derrota diplomática total. Com a oposição de três membros do Conselho de Segurança (França, China e Rússia), os Estados Unidos foram incapazes de coagir qualquer um dos demais membros — Angola, Camarões, Guiné, Chile, México, Paquistão — a votar em seu favor, mesmo com enormes pressões diplomáticas.


Claramente, os Estados Unidos falharam na tentativa de “convencer” os membros do conselho de segurança da ONU que seu ideário estava correto. Falharam na tentativa de obter apoio a uma ação armada contra o Iraque. Falharam na tentativa de demonstrar hegemonia “espiritual”. Contudo, numa prova cabal de que ainda dispõe de hegemonia militar, invadiram o Iraque e capturaram seu Ditador/Presidente Sadam Hussein.

Em minha opinião, as hegemonias da idéias e das armas se complementam. A hegemonia armada é muito dispendiosa para ser mantida e, com o passar do tempo, acaba por minar as estruturas econômicas do dominador como ocorreu com a URSS. Por outro lado, a idéias, por si só, não conseguem sustentar indefinidamente uma situação de hegemonia. Em algum momento haverá o desafio e este terá que ser enfrentado em diversas frentes de batalha, a intelectual e a armada.


3 - Por que o Estado, a longo prazo, deve desaparecer, na visão de Lênin, Marx e Engels?


A Revolução Russa encarna o conceito Leninista de Estado. Para ele, estado está associado à idéia de força e violência. Para Lenin, o Estado surge historicamente e faz a “mediação” dos conflitos entre as classes sociais.



A partir da doutrina marxista, Lenin desenvolveu as seguintes concepções:

1 - A existência de classes sociais teria sua origem no desenvolvimento histórico da produção.

2 - A luta de classes conduziria à ditadura do proletariado.

Finalmente, ele acreditava que a ditadura do proletariado seria apenas transitória, pois com a abolição de todas as classes, o Estado também poderia ser extinto. Assim, o Estado só existiria enquanto houvessem contradições a serem resolvidas e sufocadas. Findas essas contradições, findar-se-ia a razão de ser do Estado.




4 - Weber é institucionalista, isto é, considera que o nível político e a vontade humana determinam os acontecimentos. Já Marx entende que o nível econômico é determinante dos acontecimentos. Pesquise mais sobre o toque de idéias desses clássicos.

Marx e Weber investigaram as origens e o futuro do capitalismo. Suas abordagens eram bastante discordantes e podem, de certa forma, ser vistas como complementares. Marx acreditava no materialismo dialético, isto é, tudo é material que as mudanças ocorrem a partir das lutas entre as classes sociais. Ele cria que os homens construíam sua própria história e transformavam o meio ambiente para se ajustar a suas necessidades. De acordo com Marx, as sociedades evoluem através de estágios e o capitalismo é apenas um estágio intermediário a caminho do estágio final, o comunismo. A forma pela qual os homens criariam as organizações sociais seria baseada nos modos de produção. Assim, mudanças nas sociedades ocorreriam devido a mudanças nos modos de produção, ou seja, uma nova classe e uma nova forma de sociedade emergiriam graças às mudanças nos modos de produção.

Weber assume uma postura distinta, ele busca compreender como o capitalismo surge e aonde. Sua investigação procura por diferenças culturais entre os povos que abraçaram o capitalismo e aqueles onde isso não ocorreu. É assim que ele desenvolve a relação entre o capitalismo e a ética protestante.

Assim, enquanto Marx interpreta o capitalismo a partir de uma ótica materialista, Weber aborda o mesmo problema básico pelo ponto de vista social.